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O divórcio: pensando em cair fora?

Na área da construção, depois de avaliar os danos numa edificação, os proprietários podem escolher demolir a casa ou recuperá-la. Da mesma forma, quando um casamento não está indo bem o esposo e a esposa avaliam se a melhor decisão é continuar, ou optar pelo divórcio.

Passar por uma crise assim não significa o fim, nem que vai acontecer: significa que é o momento de analisar, reajustar as ideias e tomar decisões adequadas para evitar essa tragédia. Não podemos ignorar que tomar a decisão de se divorciar implica uma medida extremamente radical, para solucionar os problemas do casamento e que, se for tomada de forma precipitada, pode provocar situações desnecessariamente dolorosas, até arrependimento.

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Text extraído do livro “A Culpa é Tua ou Minha?” – Adquira o livro clicando aqui.

Durante os anos de 1950 e 1970, o divórcio era um fenômeno raríssimo e baseado na culpa. No Brasil, a lei do divórcio apareceu faz 40 anos, determinando um direito ao qual qualquer brasileiro pode recorrer, quando achar que não existem motivos suficientes para continuar o casamento.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, em 2016, foram registrados 1.095.535 casamentos civis. Por outro lado, nesse mesmo ano, foram concedidos 344.526 divórcios em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais, representando 31,4 % em relação ao número de casamentos registrados no mesmo ano. O qual indica que, para cada três casamentos que aconteceram em 2016, teve um que terminou em divórcio no país.

Esses dados retratam a triste realidade de um mundo onde o casamento está a cada dia mais perdendo a sua essência importância, como instituição de alto valor para a sociedade. Todos os relacionamentos passam por dificuldades, algumas pessoas optam por superá-las, outras apenas se deixam levar e outras preferem desistir. Ninguém casa para depois se divorciar. Tomar a decisão de divorciar-se não acaba com as ansiedades instaladas no casamento, pelo contrário, muitas vezes apenas troca uma série de problemas por outros.

Por que as pessoas pensam em se divorciar?

As razões do porquê de os casais decidirem se divorciar são muitas e variam de um caso para outro. Entre as causas mais frequentes estão infidelidade, problemas financeiros, insatisfação sexual, filhos e problemas de relacionamento com os parentes.

Entretanto, atrás dessas prováveis causas podem existir outros motivos escondidos que, às vezes, não são considerados como importantes, tais como: falta de comunicação, monotonia, falta de compromisso e mentira, entre outros. Sem intimidade no casamento, a relação tem grande probabilidade de durar pouco tempo. Ressentimento e descontentamento de um dos parceiros podem criar uma distância entre o casal, causando uma ruptura na comunicação e na interação conjugal.

Implicações psicológicas do divórcio

Assim como tudo na vida, escolher pelo divórcio também tem implicações psicológicas, que podem provocar desconfortos na vida futura dos indivíduos. Esses podem ser os seguintes:

1. Perda do rumo na vida

É um fato indiscutível que os indivíduos se divorciam na tentativa de melhorar a sua perspectiva de vida. Porém, muitos não conseguem enxergar os desafios que terão que enfrentar e as consequências inevitáveis que esse processo traz consigo.

Assim, o divórcio é considerado um dos eventos mais estressantes, em função das consequências biopsicossociais dele decorrentes. Desestruturação emocional, rebaixamento na autoestima, medo, angústia, tristeza, insegurança, insônia e isolamento são alguns dos sentimentos e emoções, que passam a povoar o universo de muitas pessoas divorciadas, sobretudo nos dois primeiros anos após a separação. Quando nos casamos, fazemos todo um projeto de vida a dois e o divórcio costuma caracterizar-se como a falência de um sonho acalentado, muitas vezes, durante anos. Na maioria dos casos, é necessário reformular os objetivos na vida para reconstruir um futuro, algo que não é fácil e que precisa ser cuidadosamente recalculado.

2. Sequelas emocionais

Os desafios emocionais presentes no divórcio podem ser mais profundos do que podemos imaginar. Os problemas financeiros, a educação dos filhos, a solidão, muitas vezes, esmagadora e o sentimento de fracasso são alguns dos problemas e desafios que os divorciados precisaram enfrentar. Por mais que o divórcio tenha sido consensual, os efeitos levam muito tempo para desaparecer ou talvez nunca possam ser superados. Surgem sentimentos tais como: perda, fracasso, desamparo, abandono, rejeição, medo, insegurança e incertezas que afetam diretamente os planos de reconstrução familiar e que precisam ser trabalhados. Isso sem mencionar o desgaste emocional que um processo de divórcio produz.

3. Ajustes financeiros

Quando o assunto é divórcio, ajustar o orçamento vira um desafio e tanto. São duas famílias a serem sustentadas. Divorciar-se é muito mais caro e doloroso do que contratar uma terapia de casal. Nenhum casal poupa dinheiro se divorciando.

4. Filhos

As pessoas da família que mais sofrem, durante e após o processo de divórcio, são os filhos. Vamos ser claros, nenhum filho deseja ver os seus pais separados. É oportuno lembrar que a maternidade e a paternidade são para toda a vida. Para se divorciarem, os adultos podem assumir a dissolução do casamento, mas não o seu papel como pais. Em alguns casos, os filhos são transformados em balas de canhão, usadas para ferir o outro, tornando-se num instrumento a serviço da vingança, do ódio ou das disputas.

Antes de decidir se divorciar

Há casais que têm medo de se expor e terminam levando o casamento com a barriga, tentando solucionar os problemas por si mesmos, mas a única coisa que conseguem é aumentar a frustração, acumulando sentimentos e emoções negativas, dando forma a uma bomba que com o tempo, cedo ou tarde, explode e destrói o relacionamento, terminando em divórcio. Se você percebe que o seu casamento está em risco não pense duas vezes, procure a ajuda de um profissional que possa lhes auxiliar a encontrar o caminho, para a resolução dos conflitos que estão vivendo.

Além disso, como mencionei num capítulo anterior, evite buscar conselhos com parentes, familiares e amigos, procure um profissional. Na maioria dos casos, talvez a forma mais fácil de acabar uma crise no casamento é optando pelo divórcio e pensar que tudo acabou aí, mas as consequências podem lhes perseguir, como fantasmas, durante toda a vida, criando um problema maior do que tinham quando estavam juntos.

Portanto, quando o carro estraga, o seu dono o leva à oficina mecânica, não o deixa largado. Antes de se divorciar, procure ajuda profissional. Se ainda não fez isso, é porque não está preparado(a) para tomar essa decisão. Precisa-se esgotar todas as alternativas possíveis, que visam à continuidade do casamento, ou vai se arrepender.

Extraído do livro “A Culpa é Tua ou Minha?” – Adquira o livro clicando aqui.

Autor: Ivan D. Mancilla

One thought on “O divórcio: pensando em cair fora?

  • 20/07/2020 at 19:19
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    Gostei muito sobre o que realmente lê.. obrigado

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